Realizada pelo Sistema Fiep, a oficina sobre mudanças climáticas reuniu profissionais
de comunicação e marketing, jornalistas, educadores e pesquisadores
Cerca de 200 pessoas entre profissionais de comunicação e marketing, jornalistas, assessores
de imprensa do setor público e privado, acadêmicos, educadores e pesquisadores participaram nesta quinta-feira (19), no Cietep,
da oficina "Comunicando Mudanças Climáticas", realizada pelo Sistema Federação das indústrias do Estado do Paraná (Fiep),
Universidade da Indústria (Unindus), Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e Conselho Britânico.
A oficina foi ministrada pela especialista em comunicação Lucy Shea, diretora do Futerra
Sustainability Communications, entidade de referência mundial em mudanças climáticas. O objetivo foi orientar profissionais
destas áreas sobre maneiras eficientes de comunicar à sociedade sobre a questão, de forma a persuadi-la a adotar práticas
que amenizem os resultados negativos da ação indiscriminada do homem ao meio-ambiente.
A especialista fez breve histórico sobre as mudanças climáticas e traçou um panorama
de como a comunicação tem sido feita até o momento. Ela falou também sobre como elaborar uma campanha de comunicação relacionada
ao tema. "Até pouco tempo atrás os meios de comunicação passavam uma mensagem negativa, que culpava os homens pelos problemas
climáticos e mostrava horizontes nebulosos, dando pouca ou quase nenhuma possibilidade de ação para mudar o processo", disse
Lucy Shea.
Essa linha de comunicação mostrou-se pouco eficaz para mudar o comportamento das pessoas.
"Hoje, a mensagem está mudando e a receptividade também, pois o aquecimento global e as mudanças climáticas estão afetando
a vida do ser humano, provocando mudança de hábito diário, como vestimenta, alimentação, transporte entre outros", disse
Lucy.
Mesmo assim, afirma a especialista, não há remédio ou mágica para fazer com que as pessoas
mudem seu estilo de vida e passem, de uma hora para outra, a adotar hábitos pensando no futuro. Segundo ela, há muita confusão
entre informação e persuasão.
"Podemos passar todas as informações disponíveis, municiar a sociedade. No entanto, para
convencê-la a mudar suas ações é preciso uma mensagem muito bem elaborada e planejada", explicou. Ela aponta algumas saídas
para que a mensagem tenha sucesso. "Primeiro é preciso identificar quem é o público-alvo, em seguida desenvolver uma mensagem
positiva e criativa de forma a envolver as pessoas".
Outra estratégia apontada por Lucy é envolver sentimentos, como patriotismo, auto-estima
e senso de responsabilidade. "Se você 'rotula' alguém como 'amigo do meio ambiente' ele vai tomar essa responsabilidade para
si e se sentir na obrigação de fazer algo", afirma.
Para o assessor de comunicação Rafael Rodrigues, o que mais chamou
a atenção na oficina foram as orientações de como uma mensagem pode a suscitar atitude nas pessoas. "Acredito que isso depende
de cada cultura, de cada região, mas é uma forma de gerar e consolidar essa consciência ambiental", disse.