Fomento - 23/06/2010

Fiep assina acordo de continuidade ao Seed Fórum no Paraná

Instituição vai realizar eventos de encontro de empreendedores e investidores seguindo modelo da Finep

O Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) firmaram nesta quarta-feira (23) um termo de cooperação para que o estado tenha eventos anuais para aproximar empreendedores de investidores de capital de risco. O acordo foi assinado na abertura do 7º Seed Forum, um encontro no qual 12 empresas inovadoras do Paraná tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos a investidores, e que foi organizado pela Finep, com apoio do Sistema Fiep, por meio do Centro Internacional de Inovação (C2i).

"A Fiep assumiu o compromisso de realizar os próximos Seed Foruns no Paraná", explicou a coordenadora de Fomento da Fiep, Andrezza Oikawa Rocha. Segundo a superintendente da Área de Investimento da Finep, Patrícia Freitas, o evento desta quarta-feira serviu como um modelo para ser seguido nos próximos anos. "Passamos a metodologia da organização e agora vamos aparecer mais como convidados da Fiep nos próximos encontros desse tipo", explicou.

O Seed Forum permite que empreendedores com bons planos de negócios apresentem para investidores, como fundos de investimentos, companhias e pessoas físicas, sua necessidade de capital para tocar adiante os projetos. Após a apresentação, aparecem as primeiras conversas para viabilizar os aportes de recursos. Cerca de 20 investidores assistiram às apresentações das 12 empresas selecionadas em um processo que começou com 40 interessados e incluiu oito semanas de treinamento aos projetos escolhidos.

"É essencial promover esse encontro entre quem tem um projeto crível de negócio e o investidor com vocação para se associar a uma iniciativa que envolve risco. Esses dois atores se completam", disse o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, na abertura do evento. "Na Fiep, damos atenção especial ao desafio de promover a formação de fundos para a inovação por meio do Centro Internacional de Inovação, o C2i", completou.

Os 12 negócios selecionados para o Seed Forum atuam em diversos setores, como tecnologia da informação, mídia, biotecnologia, equipamentos médicos e energia. Alguns empreendimentos têm vários anos de experiência e agora buscam viabilizar um salto no seu ritmo de crescimento. É o caso da ER-BR, uma empresa especializada na produção de geradores a gás e que vem apostando na expansão da demanda por fontes de energia renovável. "Estamos há dez anos no mercado e fomos os primeiros a transformar motores diesel para utilizar gás", contou Adirlei Rodrigues de Oliveira, diretor presidente da empresa, que busca R$ 3,5 milhões para consolidar sua posição no mercado de geradores.

Os investidores também encontraram empreendimentos bastante novos, mas com planos de crescer de forma acelerada. A curitibana Iluflex desenvolve equipamentos para automatizar a iluminação de ambientes. Aberta em 2007, ela ingressou na Incubadora Tecnológica de Curitiba (Intec), em 2009, e já colocou no mercado um sistema sem fio para controlar a intensidade e distribuição da iluminação. "Temos um produto simples, fácil de ser instalado, que não exige quebrar paredes", descreveu Ricardo Trauer, diretor da empresa. Com um aporte de R$ 1,5 milhão, que seria direcionado para incrementar o marketing e a força de vendas, a Iluflex espera que seu faturamento passe de pouco menos dos R$ 2 milhões projetados para 2011, para R$ 14 milhões em 2015.

Um dos projetos com maior necessidade de recursos é o da empresa Saubern. Fundada em 2002 em Campo Mourão, o empreendimento se firmou ao ser a primeira a lançar uma reprocessadora automática de filtros de hemodiálise, projeto que lhe rendeu o prêmio Finep de Inovação Tecnológica em 2006. Agora, ela precisa de R$ 4,5 milhões para viabilizar um projeto de produzir no país uma máquina de hemodiálise - hoje, todos os equipamentos são importados.

clique para ampliar clique para ampliarPresidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, abriu o 7º Seed Forum (Foto: Rogério Theodorovy)

Também tem planos de produzir os filtros no país. "Desenvolvemos a máquina com apoio da Finep e parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o Hospital Sírio Libanês", contou Francisco Reigota, diretor geral da empresa.

Financiamento - O Seed Forum é voltado para investidores do chamado "capital semente", geralmente fundos especializados em fazer aportes em pequenas empresas com planos de negócios bem estruturados e alguma experiência de mercado. É uma categoria de capital de risco - forma de financiamento que ainda tem pouca tradição no Brasil. "O capital de risco vai ser a fonte mais importante para a inovação no futuro, como ocorre em outros países", afirmou Gina Paladino, superintendente da Área de Subvenção da Finep, em um painel sobre o tema.

Segundo ela, só o capital de risco tem condições de alavancar uma empresa como um todo, e não apenas um projeto. "O investidor quer saber do plano de negócios inteiro e aposta que a empresa é boa", explicou. O sistema é diferente de uma subvenção, que geralmente financia apenas um projeto - como o desenvolvimento de um produto. Além disso, os empresários têm à disposição outras duas fontes: crédito tradicional, que tem a desvantagem de incorporar as altas taxas de juros do Brasil, e os incentivos fiscais, que servem mais como redução de custos para empreender.

A busca por fontes de capital inovador é uma das linhas de atuação do C2i, dentro do Sistema Fiep. "Por isso ficamos contentes em viabilizar a realização do Seed Forum de maneira contínua", disse o diretor do Centro, Ronald Dauscha. O C2i oferece um portal com informações sobre inovação, um centro físico com a presença de diversos parceiros, e um programa de inovação que leva ferramentas para as empresas interessadas.

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