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Escolas feitas sob medida para o mundo dos negócios
Fiep e ACP são exemplos recentes de entidades que já investem na idéia
Curitiba - A educação pulou os muros de escolas
e faculdades e correu para o mundo empresarial, onde se adaptou a um modelo criado nos países desenvolvidos, em especial os
Estados Unidos, na década de 90. Existem hoje pouco mais de 100 "universidades corporativas" no Brasil. Centros que, dentro
de empresas ou de entidades ligadas a setores da economia, oferecem capacitação sob medida para as necessidades das companhias.
A iniciativa mais recente no Paraná é a Universidade da Indústria (Unindus), criada pela Federação das Indústrias do Paraná
(Fiep). A Unindus se une a centros instalados nos últimos cinco ou seis anos e divide com eles uma filosofia parecida:
formação focada nos resultados da empresa. A diferença entre as universidades corporativas e escolas comuns, que priorizam
necessidades de mercado mais genéricas, parece sutil. Mas, para quem está acostumado a lidar com índices de qualidade e ferramentas
de gestão, uma não substitui a outra. Um colégio ou faculdade pode ensinar técnicas e passar conhecimentos gerais com uso
em diferentes áreas. Cursos dentro de empresas, por sua vez, estão adaptados a um modelo de trabalho único e ensinam processos
bem específicos de cada companhia. Grandes empresas têm capacidade de embarcar sozinhas na onda da educação corporativa.
Elas têm recursos para manter uma estrutura física - salas de aulas e equipamentos - e pessoas dedicadas à universidade. Elas
também têm uma demanda constante por treinamento de funcionários e acham mais econômico montar os próprios cursos. Um exemplo
é a América Latina Logística (ALL). Uma casa ao lado da sede da companhia foi transformada em centro de treinamento. Em 2000,
quando a idéia foi colocada em prática, a meta era formar pessoal para funções técnicas, como maquinistas. "Precisávamos
treinar uma mão-de-obra que não existia no mercado", lembra a gerente de desenvolvimento de gente e gestão da ALL, Valéria
de Paula Ribeiro. O projeto evoluiu nos últimos cinco anos e se tornou uma universidade corporativa, a Uniall, que hoje recebe
investimento anual de R$ 2,5 milhões. Pelo menos metade dos 3,2 mil empregados da companhia passam pelas salas de aula em
Curitiba a cada ano. Há cursos para todos os níveis de atividade. A grande vantagem de ter uma estrutura própria de treinamento,
segundo Valéria, é que ferramentas de gestão e procedimentos para a busca de qualidade, por exemplo, chegam ao dia-a-dia dos
funcionários de forma rápida e dentro dos padrões exigidos pela empresa. Ao formatar a Unindus, a Fiep pretendia levar
a empresas menores a chance de usufruir das vantagens que as grandes companhias criam ao montar universidades corporativas.
"É uma forma de facilitar o acesso da empresa e dos trabalhadores a um conhecimento focado em competências que o setor precisa
ou vai precisar", diz o diretor da Unindus, Marcos Schlemm. A entidade organizará cursos sobre temas que identificar através
de conversas com as indústrias. Ela também poderá formatar treinamentos a pedido de um grupo de empresas. A idéia de universidade
"coletiva" também foi adotada pela Associação Comercial do Paraná (ACP). Os primeiros passos ocorreram em 1998, quando a organização
começou a oferecer cursos em um centro de treinamento. No ano passado, uma reorganização administrativa transformou a iniciativa
na Universidade Livre do Comércio (ULC). "Fizemos um projeto pedagógico, com dez núcleos de interesse", explica Bernadete
Zagonel, vice-presidente da ACP e coordenadora da ULC. "Dentro de cada um são formatados cursos que vão da área de finanças
a defesa pessoal", diz. Parcerias com instituições de ensino, como a Fundação Getúlio Vargas e a Fundação Dom Cabral ajudam
a fechar os projetos. "Fazemos pesquisas e tentamos suprir o que o empresário do setor precisa na área de educação", observa
Bernadete. Uma das novidades neste ano é um curso para formação de tecnólogos em gestão voltada para o comércio, montado pela
FAE Business School. Outra opção aberta pela ULC é um curso de produção de grandes eventos, com 120 horas de duração.
Guido
Orgis Gazeta do Povo - PR - Capa
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