Oficina realizada pelo Sistema Fiep, através da Unindus, trouxe a Curitiba André
Franco Montoro Filho
A ética nos negócios e o prejuízo da falta de ética para as relações comerciais e para
a economia foi a abordagem do economista André Franco Montoro Filho nesta quarta-feira (29) na Oficina de Inteligência Competitiva,
realizada pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), por meio da Universidade da Indústria (Unindus).
"Se cada um que sonega, falsifica, trabalha na informalidade, faz contrabando e pirataria soubesse quais são as conseqüências
para a economia e, consequentemente para sua empresa, com certeza mudaria de atitude", disse Montoro Filho, que preside o
ETCO - Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial e ex-presidente do BNDES.
Para o economista, mais importante que
pedir a redução da carga tributária é trabalhar para combater a sonegação, um dos maiores causadores da concorrência desleal.
"Esse 'caldo cultural', que envolve todas as classes e que difunde a idéia de que é comum determinadas atitudes não-éticas,
precisa ser mudado. Não só nas pequenas coisas, mas também nas grandes negociações nas quais o respeito aos acordos são essenciais
para manter a credibilidade das empresas", afirmou.
Ele diz ainda que respeitar as regras e cumprir os contratos reduz
prejuízos com custas judiciais de processos em todos os âmbitos. "O ETCO procura identificar os fatores que contribuem e
estimulam o desvio de comportamento e mobilizar e apoiar os poderes privados para alcançar melhorias institucionais", disse.
Entre os projetos apontados por Montoro Filho já iniciados pelo ETCO para ajudar a melhorar a ética nos negócios está a nota
fiscal eletrônica que reduzirá a sonegação; e o rastreamento de medicamentos para diminuir a informalidade que chega atualmente
chega a 30% no setor farmacêutico.
A produção de informações com a função ofensiva, também chamada de Inteligência Competitiva;
a defesa e proteção para informações sensíveis e essenciais de uma organização conhecida como Contra-inteligência Competitiva
também foram abordadas na oficina durante palestra de Walter Félix Cardoso Júnior, especialista em estratégias organizacionais.
Segundo Cardoso Júnior, proteger as informações é uma ação extremamente importante, pois
a perda de algum dado interno ocasiona a perda da vantagem competitiva, redução das fatias de mercado, perda de know-how e
danos à imagem da empresa. "O uso da contra-inteligência vem para antecipar todos os riscos e possibilidades negativas que
possam vir a ocorrer", afirmou. De acordo com ele, a contra-inteligência pode barrar a espionagem industrial. "Os principais
benefícios das medidas de contra-inteligência em uma empresa é a formação de uma estrutura mais sólida, segura e pronta para
os processos não-éticos existentes no mercado atual", concluiu.
O especialista em soluções para riscos corporativos, Marcos Turbay, consultor da empresa
Conformiy, também palestrante da oficina, disse que a concorrência não-ética tanto entre as pessoas como entre empresas é
um risco grave para o mercado. Segundo Turbay, a concorrência não-ética caracteriza-se pela prática ilícita no mercado
de gestores e organizações ilícitas que conseguem seu diferencial competitivo através da sonegação fiscal, pirataria, corrupção.
"É a praga corporativa do século 21 que se não for solucionada levará muitas empresas à falência", alerta.
Para o especialista, grandes corporações investem milhões de reais no combate à essa
prática desenvolvendo técnicas de inteligência competitiva. "A empresa que identificar uma concorrente não-ética, deve investigar
de forma legal dados e informações que comprovem sua ilegalidade e acionar a justiça", recomenda.