Especialistas internacionais apontam EaD como alternativa viável e eficiente para
capacitar mão-de-obra qualificada nos lugares mais remotos
A Educação a distância (EaD) foi apontada por especialistas internacionais como a alternativa
mais viável e eficiente para promover a capacitação de mão-de-obra qualificada nos lugares mais remotos. A conclusão foi divulgada
no encerramento do 13.º Congresso Internacional de Educação a Distância, na última quarta-feira (5), no Cietep, em Curitiba.
Promovido desde domingo (2) pela Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), o evento contou com o apoio do Sistema
Fiep, por meio do Sesi e do Senai.
"É preciso mudar a cultura porque hoje o aluno pode aprender em qualquer lugar,
em qualquer momento", considerou o professor canadense Mohamed Ally, da Athabasca University, palestrante no congresso. "A
EaD nivela o ensino através do uso das tecnologias emergentes. Hoje, há um novo tipo de aluno no mundo e ele está nas localidades
mais remotas. Então, é preciso chegar nesses alunos através da Internet sem fio. No Brasil, são 5.563 cidades e 60% da população
está abaixo dos 30 anos. É preciso preparar essa população para ser produtiva no futuro", alertou o canadense.
"Precisamos
de uma alternativa também para a educação primária. E a EaD é a mais viável. É possível criar um sistema auto-organizado para
a educação primária", sugeriu o professor indiano Sugata Mitra, outro palestrante no congresso. "Quanto mais aprendizagem,
maior a qualidade do trabalho e maior o rendimento do funcionário", avaliou o professor inglês Michael Eraut, da University
of Sussex.
Com diversos produtos e serviços de Educação a Distância, o Senai participou do congresso apresentando suas
experiências na área. Entre elas, o projeto de Inclusão Digital para Pessoas com Necessidades Especiais, do Departamento Nacional
do Senai, chamou a atenção.
Na mesa-redonda, o deficiente auditivo Divanildo Pereira de Oliveira, 38 anos, descreveu
sua experiência com a EaD. "Me senti muito satisfeito porque é importante se aperfeiçoar para concorrer no mercado de trabalho",
considerou ele, que fez o curso de Qualificação em Informática oferecido pelo Senai Bahia.
Promovido entre abril e
maio passado, em Salvador, o curso teve uma carga de 150 horas. "Foi um projeto-piloto desenvolvido em parceria com o Finep
e a Rede Nacional de Educação a Distância com 19 alunos. No final do curso, conseguimos formar 14 alunos", explicou Graça
Barreto, do Núcleo de Educação a Distância do Senai Bahia. "Antes eu não tinha emprego. Com o curso, consegui uma vaga na
Getec (empresa do setor de engenharia civil", comemorou Oliveira, que trabalha no setor de suprimentos. "É possível aprender
a distância. Com o apoio do Senai, fica fácil", concluiu ele.
Segundo Graça, para a capacitação dos deficientes auditivos,
foram utilizados recursos gráficos, como animações e vídeos, para ensinar os alunos. "Com a linguagem de Libras (Língua Brasileira
de Sinais) que é fundamental para a aprendizagem deles", observou.