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Sucessão Familiar - Painel esclarece processo sucessório em empresas familiares
Especialista afirma que futuro das organizações familiares
depende da adoção de um processo saudável de passagem de comando
A sucessão é um desafio que, se vencido, aumenta as chances
da empresa familiar se perpetuar pelas próximas gerações. Com essa afirmação, Silviane
Scliar Sasson, advogada e coordenadora do Centro de Estudos de Direito Empresarial (CEDE), abriu o painel "Planejamento
Societário e Sucessor em Empresas Familiares", realizado na manhã desta quinta-feira (22/11), pela Universidade
da Indústria (Unindus), do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Segundo Silviane, os empresários já perceberam que o futuro de suas organizações não está ligado somente às condições de mercado e da
economia. "Esse futuro também depende da adoção de um processo saudável de passagem do comando.
Planejar a sucessão é fundamental para que as empresas se adaptem aos novos ambientes de negócios",
disse. A advogada afirmou que nas décadas de 70 e 80 houve um grande aumento nas falências das empresas familiares.
Depois disso, percebeu-se um crescimento na procura por orientações e planejamento para processos sucessórios.
"O grande objetivo desse planejamento é não quebrar a continuidade dos negócios e manter sistematizados
os valores e filosofias daquela organização", disse.
O processo deve iniciar pelo fundador e o momento ideal, segundo Silviane, "é ontem depois do almoço".
"O fundador é muito importante nessa ação que, longe de ser um ato isolado, depende de tempo para
ser pensado e discutido de forma compartilhada para que seja bem aceito pelos envolvidos", destacou.
Silviane disse que é importante atentar para as peculiaridades de cada empresa já que não existem modelos
prontos. Ela deu algumas dicas para começar. Primeiro é preciso ter um plano escrito que traduza a memória
da empresa como se fosse um documento com as decisões tomadas em consenso. Em seguida, é preciso treinar os
herdeiros para serem bons sócios e, por último, traçar um plano para formação de sucessores
que não são necessariamente os herdeiros. "A profissionalização é crucial. O herdeiro
deve entender que precisa ser preparado, conhecer a dinâmica da família, dos negócios e se comportar como
acionistas conscientes", disse.
Outros aspectos citados pela advogada são a separação entre o patrimônio pessoal e o da empresa;
a substituição dos métodos intuitivos de gestão por aqueles profissionalizados; a adoção
da governança corporativa que previne abusos de poder, cria instrumentos de fiscalização, monitora a
sociedade e estabelece princípios e regras para uma gestão eficiente e eficaz.
O empresário Ricardo Albuquerque Rezende, diretor presidente
da Sabaralcool S/A, empresa do segmento industrial de açúcar e álcool de Engenheiro Beltrão apresentou
o case de sua empresa que passou por um processo sucessório aos 20 anos de existência e com os três herdeiros.
Dois anos depois, o planejamento societário estava pronto. "A implementação desse processo é
indelegável, deve ser feita pelo fundador. São muitos passos complicados, mas vale a pena. Quando se faz regras
de conduta societária todo o tempo é dedicado para fazer a empresa produzir e crescer", disse.
Segundo Rezende, após a aplicação do planejamento a empresa registrou um crescimento de 50% na moagem
de cana e 35% no faturamento. Hoje a Sabaralcool emprega cerca de 5 mil pessoas e tem 35 mil hectares de cana plantada. "É
muito difícil para um fundador abrir mão de seu poder, mas é melhor delegar esse poder e dividir de maneira
correta a condução do patrimônio do que ver a empresa que construiu fechar as portas", concluiu.
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