O Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), por meio da Universidade da
Indústria (Unindus), realizou dia 27 de novembro, o painel de diálogo Como realizar a Gestão da Inovação
nas Empresas
O objetivo do diálogo foi mostrar aos empresários alguns cases de empresas com experiência
em inovar. "Esta é mais uma iniciativa da Unindus e do Sistema Fiep para levar ao conhecimento da indústria
do Paraná a importância desse tema que considero fundamental para o desenvolvimento do setor", afirmou Henrique
Santos, diretor da Unindus, ao abrir o evento.
Santos citou as iniciativas do Sistema Fiep voltadas para esta área. "Entre as ações já temos
em andamento um curso de Gestão Estratégica de Tecnologia e Inovação, realizado pela Unindus em
parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), ministrado em Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel. Também temos
na Unindus as comunidades de práticas de inovação que promove o diálogo entre empresas",
disse.
O diretor destacou também as ações do Senai de fomento e apoio à inovação como o
Programa Inova Sesi/Senai, Hotel de Projetos Inovadores (HPI) e Rede de Tecnologia do Paraná (Retec), e da Fiep com
o Conselho Temático de Política Industrial, Inovação e Design na Fiep.
Rodrigo Rocha Loures, presidente do Sistema Fiep, também presente no painel, disse que o desenvolvimento da indústria
está diretamente ligado à inovação. "Para isso precisamos, além de desenvolver capacidades
e competências, saber aproveitar o contexto no qual estamos inseridos", disse. Rocha Loures citou os investimentos
em ciência e tecnologia anunciados pelo governo e o anúncio de que o BNDES vai priorizar linhas de crédito
para projetos de conteúdo inovador. "Estamos diante de melhorias substanciais nas condições até
então disponíveis aos empresários. É necessário que os mesmos aprendam como utilizar essas
facilidades", afirmou.
Cases de sucesso - O painel foi composto por dois cases. O primeiro a falar foi Sebastião Lauro
Nau, gerente de P&D da Weg e diretor da Associação Nacional de P&D e Engenharia das Empresas Inovadoras
(Anpei). Ele discorreu sobre "A importância da criação de Núcleos de Gestão da Inovação -
Núcleos P&D nas empresas". Nau começou citando o significado teórico de inovação.
"A inovação é um produto, serviço ou processo novo que pode ser comercializado e tem um mercado
potencial. Ela só existe se for colocada à disposição do mercado", afirmou.
Ele apresentou dados de uma pesquisa realizada em 2004 com grandes
investidores internacionais que apontou o Brasil como o 6º país mais atrativo para investimentos em P&D. "Essa
é uma boa notícia, mas se queremos atrair investimentos nesta área temos que formar competências.
Esse é o principal passo para termos inovação", disse.
Nau defendeu que para que haja crescimento nesta área é preciso a união do governo, institutos de tecnologia
e centros de pesquisa e desenvolvimento, universidades e empresas. "Outro fato importante é que a inovação
deve considerar as pessoas e respeitar o conhecimento adquirido", disse.
Mas se inovação é tão necessária por que poucos a fazem no Brasil? Segundo Nau, inovar
exige coragem para assumir riscos, para dizer sim e não aos clientes e fornecedores, para se lançar o mercado
externo, ser otimista e inovar continuamente. "A Weg aprendeu muito com os erros no passado, mas quando adquirimos tecnologia,
buscamos treinamentos, fizemos convênios com universidades os resultados começaram a surgir", contou.
Com 37 anos de existência a Weg, com filial em Jaraguá do Sul, exporta para 100 países, tem sete fábricas
no exterior. Outro resultado de destaque é que, só no ano passado, a empresa registrou 25 patentes. "Esse
número é a metade de patentes registradas pela Weg desde a sua fundação em 1961", disse.
Álvaro Venâncio de Paula, gerente de P&D da Bematech que apresentou o case "Implantação
bem sucedida de um núcleo de gestão da inovação na Bematech", afirmou que a implantação
bem sucedida é um processo constante. "Inovação para nós é desenvolver não
só equipamentos e produtos, mas também soluções que façam sentido para nosso cliente",
disse. 
A Bematech é referência em inovação no Paraná. Iniciou na incubadora
do Tecpar em 1989 para produzir impressoras para telex. Em 2007, a empresa é líder no mercado de impressoras
fiscais e está na fase de aquisição de outras empresas da área de software para automação
comercial.
Segundo De Paula, um dos pontos fortes da Bematech é a capilaridade. "Estamos presentes em todo o país
e em quatro outros países. Trabalhamos não só com inovação em produtos, mas também
na abordagem de mercado e no desenvolvimento de processos", conta De Paula.
Para ele, a cultura da inovação depende das pessoas e não existem fórmulas para implantá-la.
"A arte de inovar não acontece por acaso. É preciso investir na formação de profissionais
e na criação de ambientes favoráveis". De Paula disse ainda que a empresa deve entender que é
preciso correr riscos e que não há inovação se não se aceitar os erros.
Capacitação - Durante o painel foi apresentado o Programa de Capacitação
da Indústria em Gestão da Inovação que tem como objetivo incentivar as empresas a organizarem
seus núcleos de gestão de inovação e capacitar as pessoas que atuarão nesses núcleos.
De acordo com Hans Gerhard Schorer, consultor do Sistema Fiep, sondagem industrial realizada pela entidade apontou que metade
das empresas do Estado não têm a mínima organização de gestão da inovação.
"A outra metade, mesmo com seus núcleos já estabelecidos, tem uma carência muito grande de formação
e capacitação nesta área", disse. Por isso o Sistema Fiep optaram por lançar o curso.