Sistema é indicado a qualquer tipo de empresa e não apenas às S/A´s
Aumentar o valor
da sociedade, facilitar o acesso ao capital e perenizar as organizações são os principais objetivos da governança corporativa,
sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas. "Embora o conceito esteja mais disseminado entre as grandes corporações,
como empresas de capital aberto que já operam em bolsa, o sistema se aplica a qualquer empresa, de qualquer porte e, certamente
é muito útil a todas", disse nesta quarta-feira (31), em Curitiba o economista José Guimarães Monforte, presidente do Conselho
de Administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Ele explicou que o sistema de Governança Corporativa
define claramente as relações entre acionistas/cotistas conselho administrativo, diretoria, conselho fiscal, auditoria independente
e auditoria interna.
O economista acredita que o conceito de governança corporativa vai ganhar muita
força daqui para frente no processo de decisão das empresas. Segundo ele, apesar da crise política, existe um consenso de
que o Brasil está às vésperas de um grande ciclo de expansão e isso deve favorecer as pequenas e médias empresas. "Estas empresas
devem crescer e ter acesso ao mercado de capitais", disse, citando, o Bovespa Mais, um segmento especial criado pela Bolsa
de Valores de São Paulo específico para atender pequenas e médias empresas.
Segundo Monforte, já
há 52 empresas emergentes listadas na Bolsa de Valores e foram estas empresas que conseguiram captar recursos a custos mais
baixos no Brasil recentemente.
Unindus - Monforte veio a Curitiba à convite da Unindus - Universidade
Corporativa da Indústria, coordenada pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O economista falou
a empresários, dirigentes e acionistas de empresas. A palestra foi acompanhada pelo presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da
Rocha Loures.
Para ele, a discussão do tema é fundamental porque uma das maiores dificuldades é
lidar com as organizações humanas e organizações de negócios. "É fundamental que o empresário brasileiro consiga adaptar a
gestão de negócio à sua realidade e busque condições de competir na economia globalizada", disse. Segundo Rocha Loures, a
governança corporativa se aplica também aos órgãos públicos que precisam rever sua forma de gestão.
A
palestra de Monforte marcou o lançamento da seção paranaense do IBGC que tem por finalidade difundir as práticas de governança
corporativa por meio da capacitação profissional dos conselhos administrativos das empresas e dos acionistas e do desenvolvimento
de competências na área.
O economista lembrou que o tema governança corporativa vem sendo discutido
no Brasil há uma década, mas ganhou destaque especialmente depois da onda de quebra de muitas empresas. "O mundo está fora
de equilíbrio e a governança corporativa é um sistema de decisão para o equilíbrio e envolve todos os níveis que têm poder
decisório dentro de uma organização", destacou. Para Monforte, a adoção da prática da governança corporativa é útil para qualquer
organização principalmente devido aos seguintes fatores que alteraram o cenário econômico nos últimos anos: globalização,
abertura econômica, descentralização, fusões e aquisições, necessidade de financiamento, necessidade de reduzir custos e crescimento
dos fundos de pensão.
Particularmente no Brasil, as empresas caracterizam-se pelo controle acionário
permanecer em poder da família ou ser exercido por um grupo de acionistas, sem que o controle seja pulverizado como acontece
muito entre as empresas norte-americanas. De acordo com o economista, no modelo norte-americano a governança corporativa
é importante porque as empresas quando crescem demais e perdem o perfil de propriedade acabam ficando ‘’desgovernadas’’. </P><br/><P
align=justify>Mas, segundo Monforte, a governança se aplica também ao perfil brasileiro, especialmente às empresas familiares,
porque é fundamental separar a propriedade da gestão. Monforte enfatiza que esta dissociação é necessária, inclusive, para
manter a qualidade das relações familiares que, em outros moldes, acabam sendo conflituosas. "As famílias se multiplicam,
se ramificam e crescem mais do que a taxa de lucratividade das empresas e se não houver uma gestão profissional na terceira
geração da família 80% das empresas familiares acabam", disse.