Primeira turma do Programa de Formação em Ecodesign
encerra com projetos que unem o tecnologicamente possível ao ecologicamente necessário. Unindus abrirá
segunda turma em 2008
Incentivar as empresas a utilizarem o ecodesign para ter uma visão
sistêmica de seus processos produtivos e, assim, chegar a produtos ambientalmente adequados. Esta foi a proposta do
Programa de Formação em Ecodesign, lançado pela Universidade da Indústria (Unindus), em junho
deste ano e que encerrou a primeira turma na noite de 14 de dezembro.
De acordo com Cíntia Takada, coordenadora do Núcleo de Estudos e Práticas em Sustentabilidade (NEPS)
da Unindus, o curso faz parte de um dos eixos estratégicos da Universidade que promover o conhecimento para levar à
gestão sustentável nas empresas. “Por isso oferecemos para a indústria um programa que forma profissionais
capazes de identificar pontos de discordância entre a produção fabril e o meio ambiente e, a partir de
ações práticas, ajudar a criar soluções viáveis para atingir as estratégias
de sustentabilidade”, disse.
Para encerrar o curso, os alunos apresentaram projetos com design ambientalmente adequado e de viabilidade fabril. De acordo
com Bernadete Brandão designer e coordenadora técnico-pedagógica do curso, no decorrer das aulas, foram
mostrado aos alunos alguns caminhos para reduzir o impacto ambiental e social de produtos e sistema produtivos industriais.
“O ecodesign é uma ferramenta fundamental para diminuir os danos ao meio ambiente e também, para gerar
estratégias de lucro nas empresas”, afirmou.
A designer disse ainda que pensar o ecodesign é enxergar a produção do ponto de vista social e ecológico.
“É cuidar da funcionalidade do produto, quais os valores nele embutidos e as soluções que pode
trazer para o meio ambiente e para o mercado de consumo consciente. Esta é a visão sistêmica que reflete
em benefícios para a empresa e para o consumidor resultando em sustentabilidade”, diz.
Participaram do programa gestores e líderes de produção, consultores industriais e comerciais, profissionais
graduados nas áreas de design, engenharia, arquitetura, gestão ambiental, economia, comunicação,
marketing, entre outras. “Tivemos projetos de diferentes áreas, mas com o mesmo objetivo de oferecer alternativas
de produtos criativos com critérios ambientalmente corretos e soluções sustentáveis”, disse
Bernadete.
De acordo com Mariana Atem Sassamori, que apresentou o projeto “Luz – Reuso de Embalagens Longa Vida em Luminárias”,
as aulas ajudaram a enxergar o design de forma diferente. “Foi muito difícil e, ao mesmo tempo, muito legal
pois muitas verdades vieram à tona sobre o que fazemos e como fazemos. Realmente foi um grande aprendizado”,
disse.
Mariana desenvolveu o projeto juntamente com as alunas Ana Paula Yamasaki, Enólia Cunha e Milena de Miranda. A base
do projeto é o reuso de materiais para otimização da luz. Elas desenvolveram luminárias artesanais
com embalagens longa vida. “Além de aumentar o aproveitamento da luz, o produto reduz o volume de resíduos
sólidos”, disse a aluna.
Segundo ela, só em Curitiba são geradas 60 toneladas de embalagens longa vida em um mês. “Isso gera
grande quantidade de lixo que é difícil reciclagem”, afirmou. O produto desenvolvido pela equipe de Mariana
tem ainda um viés social. “Há possibilidade de ser produzido em comunidades carentes de forma artesanal”,
concluiu.
Outro projeto de viabilidade fabril, baixo custo e que reaproveita resíduos foi apresentado por Ana Marise Pailo e
Patrícia Pereira. O jogo pedagógico Ecodesign Cadê, feito com resíduos de tecido. “Escolhemos
o tecido como matéria-prima por ser de fácil transformação, de material durável e de grande
disponibilidade”, afirmou Patrícia.
Para desenvolver o jogo, a equipe pesquisou, com a ajuda de uma pedagoga, o interesse por entretenimento entre crianças
carentes. Com isso chegaram a um jogo pedagógico de tabuleiro voltado para crianças de 02 a 07 anos.
O curso - A próxima turma do Programa de Formação em Ecodesign está programada
para o segundo semestre de 2008. O objetivo é fazer com que os alunos saiam do curso sabendo como argumentar sobre
o design com sustentabilidade, bem como a ler e interpretar dados ambientais, e habilitados a desenvolver a prática
de conceitos sustentáveis na adequação de produtos e processos.
Desta forma, eles são incentivados a levantar soluções ecoeficientes e, com isso, planejar a projetar
ecoprodutos condizentes com as necessidades da sociedade com foco na geração de renda. A documentação
de procedimentos para certificação, e a geração de patentes de inovação são
outros temas importantes do programaque tem 160 horas de duração.