Encontro acontece de 18 a 20 de junho, em Curitiba, e reunirá universidades, empresas, poder
público e sociedade civil para repensar o papel da educação para os negócios sustentáveis
Universidades e faculdades brasileiras devem rever e atualizar seus currículos para acompanhar os desafios do cenário
nacional e mundial. Os jovens de 17 a 24 anos que estão hoje na universidade, estarão atuando nos próximos
20 e 30 anos, numa realidade econômica, social e empresarial totalmente diferente. Os currículos devem tratar
o tema da sustentabilidade de forma transversal, além de incorporar novas tecnologias de ensino.
A afirmação é do presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação
e Pesquisa em Administração (Anpad), Carlos Osmar Bertero, um dos especialistas que participará da abertura
do Global Forum América Latina, encontro que acontece em Curitiba, de 18 a 20 de junho e reunirá universidades,
empresas, poder público e sociedade civil para repensar o papel da educação para os negócios,
com foco na sustentabilidade. O encontro é uma promoção da Unindus – universidade corporativa do
Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), com o patrocínio do Serviço
Social da Indústria (Sesi). As inscrições podem ser feitas no site www.globalforum.com.br.
“O pressuposto do Global Forum é a necessidade de uma mudança fundamental na cultura, sistemas e processos
que impactam na formação acadêmica dos nossos futuros líderes. Os desafios da sustentabilidade,
da globalização e da velocidade de inovação tecnológica, entre outros fatores, estão
levando as instituições de ensino superior de administração a repensar seus modelos”, afirma
o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures.
Bertero acredita que o profissional do futuro é aquele antenado com as questões sustentáveis e de responsabilidade
social. “As empresas do futuro não terão o mesmo formato de hoje. Além disso, essas pessoas viverão
num país diferente, que ocupará uma posição mundial diferente. O Brasil será uma economia
de grande importância, com grandes deficiências e um déficit educacional. Apesar disso, desempenhará
um papel importante no cenário mundial”, diz.
Segundo Bertero, uma das questões que permeia esta discussão é a sustentabilidade no mundo empresarial.
“Uma empresa sustentável é aquela que fica no tempo e consegue sobreviver”, afirma, ressaltando
que 85% das empresas brasileiras desaparecem após cinco anos e as 500 maiores empresas americanas têm como expectativa
de vida 42 anos. “As universidades terão que se atualizar para acompanhar as demandas. A Anpad será a
responsável por articular este processo e formar os professores responsáveis por ensinar estes novos currículos”,
explica Bertero.
Rocha Loures afirma que universidades americanas e européias já iniciaram o diálogo com o mundo dos negócios
e a sociedade para a construção de uma nova visão de educação. No Brasil, entretanto, os
egressos das universidades, especialmente os da área de administração, tem se norteado para especializações
e busca do domínio de técnicas. “Isto certamente corresponde ao que é sinalizado pela cultura,
conteúdo e atividades que prevalecem no ambiente escolar. O reposicionamento do mundo empresarial, no entanto, requer
profissionais com visão sistêmica, habilidades de liderança e inovação, sensibilidade social
e política. Entretanto, profissionais com este perfil não estão saindo das escolas”.
Histórico - Idealizado a partir do Movimento BAWB – Business as an Agent of World Benefit –
e promovido pela Escola de Negócios da Case Western Reserve University, o primeiro Global Forum reuniu 400 líderes
empresariais e representantes do mundo acadêmico de 40 países, além de mil participantes via internet.
Realizado em Cleveland, em 2006, o evento promoveu a identificação de áreas de cooperação
entre o mundo empresarial e o acadêmico, visando à promoção de ações efetivas para
o desenvolvimento sustentável global. Os resultados desta edição latino-americana serão levados
ao Global Fórum mundial, marcado para 2009, nos Estados Unidos.