Repensar o papel da educação para os negócios, com foco na sustentabilidade,
é o objetivo do Global Forum América Latina, que acontece de 18 a 20 de junho, no Cietep, em Curitiba
“Sustentabilidade é oportunidade”. A opinião é do presidente da Associação
Nacional dos Cursos de Graduação e Administração (Angrad), Antonio Freitas, um dos especialistas
que participará do Global Forum América Latina, encontro que acontece de 18 a 20 de junho, em Curitiba, reunindo
universidades, empresas, poder público e sociedade civil para repensar o papel da educação para os negócios,
com foco na sustentabilidade.
“A idéia de sustentabilidade remete a negócios que, além de visar lucro, devem ter como foco a
preservação do meio ambiente e a responsabilidade social”, diz Freitas, para quem este novo cenário
exige novos profissionais, com uma formação mais ampla. Esta será a grande discussão do
Global Fórum América Latina. O encontro é uma promoção da Unindus – universidade
corporativa do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), com o apoio do Serviço
Social da Indústria (Sesi). As inscrições podem ser feitas no site www.globalforum.com.br.
“O objetivo do Global Fórum América Latina é o de promover uma reflexão compartilhada quanto
a formas de proporcionar aos estudantes valores e instrumentos que os tornem aptos a agir de acordo com os requisitos da sustentabilidade”,
afirma o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures. “Negócios sustentáveis são aqueles
em que estão presentes e atuantes competências capazes de no mínimo criar valor econômico-financeiro
sem causar danos seja ao meio ambiente seja a terceiros”, completa, ressaltando que o grande desafio é instalar
um processo consistente e contínuo de aprendizagem compartilhada voltada para o aprimoramento da educação
em gestão para a sustentabilidade.
Na avaliação de Freitas, que também é conselheiro do Conselho Nacional de Educação,
existem projetos pontuais em instituições de ensino que tratam da questão da sustentabilidade, mas não
há um esforço continuado para tratar a sustentabilidade como oportunidade de negócios. “Estamos
em processo de mudança intensa. O que você ensina hoje pode estar obsoleto em dez anos. O que uma escola deve
fazer é preparar a pessoa para o futuro, ensinando sobre globalização, meio ambiente, responsabilidade
social, entre outros assuntos, que ajudarão a formar o cidadão”, diz.
Segundo o decano do Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Escola de Negócios da PUC/PR, Eduardo Damião
da Silva, a discussão em torno da sustentabilidade nos negócios é uma tendência mundial. “Participo
de conferências mundiais na área de negócios e todas elas têm feito encontros específicos
de sustentabilidade e impacto ambiental. No Brasil, entretanto, são poucas as instituições que se dedicam
a fazer esses encontros. O Global Forum será a primeira iniciativa que realmente vai trabalhar a necessidade de mudar
a forma de ensinar os alunos da área de negócios e administração”, diz, ressaltando que
na universidade já existe a preocupação de discutir e refletir sobre aspectos socioambientais nas disciplinas.
Atualização na academia – Na avaliação do presidente da Angrad, as universidades
privadas terão mais facilidade em incorporar a questão da sustentabilidade nos currículos em relação
às públicas. “O Conselho Nacional de Educação pode colocar nas diretrizes curriculares a
necessidade de se trabalhar o assunto da sutentabilidade. Cada universidade tem autonomia de verificar a melhor aplicabilidade”,
diz.
Ele acredita, entretanto, que a maioria dos professores não possui capacitação necessária. “Devemos
começar treinando os professores no assunto sustentabilidade. É mais fácil sensibilizar e repassar as
idéias às pessoas mais jovens, mas deveremos realizar um esforço para treinar e educar os professores
mais antigos nesses assuntos.”
Alguns professores estão preparados, principalmente os que lecionam filosofia, sociologia e disciplinas da área
ambiental e fizeram mestrado e doutorado na instituição. Os outros terão que passar por uma capacitação,
mas não é nada muito complicado”, afirma Silva, da PUC.
A academia tem um efeito multiplicador por formar professores e profissionais. “Como a sustentabilidade já é
assunto do nosso dia a dia, o futuro professor e profissional deve sair da universidade com outra visão. É uma
necessidade absoluta porque as empresas demandam profissionais que, além de dominar o uso da tecnologia, conheçam
sobre sustentabilidade, meio ambiente, responsabilidade social e globalização”, acredita Freitas.
Sustentabilidade nos negócios – O jornalista e consultor em Terceiro Setor, responsabilidade
social empresarial e sustentabilidade, Ricardo Voltolini, também relaciona sustentabilidade a oportunidade. “Hoje,
as empresas não buscam a sustentabilidade para evitar perdas, mas para inovar e obter lucros. As empresas ditas sustentáveis
possuem quatro pontos em comum: todas possuem um líder que acredita no conceito e enxergam o tema sob a ótica
da oportunidade e não do risco, inseriram os valores sustentáveis nas estratégias de negócio,
e educam para inovar”, afirma.
Segundo Voltolini, as discussões acerca da sustentabilidade no Brasil tiveram início há dez anos. Hoje,
questão da sustentabilidade e desenvolvimento sustentável está presente em todas as discussões,
desde a instância escolar até governamental. “Isso se deve ao senso de urgência criado ao redor do
tema. Vivemos em um mundo com escassez de recursos e crescente desigualdade social. Se não tomarmos uma atitude de
mudança, não sei como será o mundo para as próximas gerações”, diz.