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Educação e negócios - Sustentabilidade em bancos será tema no Global Forum


Sustentabilidade em bancos será tema no Global Forum

Encontro reunirá universidades, empresas, poder público e sociedade civil para repensar o papel da educação para os negócios, com foco na sustentabilidade

Até que ponto as instituições financeiras estão preocupadas com a sustentabilidade, tanto nas suas ações internas quanto no relacionamento com clientes? Alguns trabalhos inscritos para o Global Forum América Latina, que acontece em Curitiba de 18 a 20 de junho, discutem esse tema e deverão suscitar o debate sobre o papel dos bancos para o futuro do planeta. As inscrições podem ser feitas no site www.globalforum.com.br.

Durante o Global Fórum – evento que reunirá universidades, empresas, poder público e sociedade civil para repensar o papel da educação para os negócios, com foco na sustentabilidade – serão apresentados 86 resumos e relatos empresariais, de 12 áreas temáticas. Na área de "Finanças Sustentáveis", três trabalhos abordam as práticas socioambientais dos bancos e concluem que o conceito de sustentabilidade vem se disseminando nas instituições financeiras, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

"Os bancos avançaram muito no sentido de permear a sustentabilidade na gestão, mas existe uma disparidade entre as práticas e o resultado efetivo", conclui o estudo do professor Marisalvo da Silva, da Associação Internacional de Educação Continuada (AIEC), de Brasília. De acordo com ele, "um dos principais entraves nesse sentido é a falta de ferramentas para mensurar o desempenho das instituições nessa área".

Silva cita pesquisa feita pela Fundação Brasileira pelo Desenvolvimento Sustentável (FBDS) com os 10 maiores bancos de carteira comercial do Brasil, segundo a qual o conceito de sustentabilidade é conhecido em 99% dos pesquisados. Este mesmo percentual de instituições financeiras acredita que as discussões e estratégias sustentáveis irão crescer internamente nos próximos anos.

Outro trabalho, da pesquisadora Renata Peregrino de Brito, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas – GVCES – EAESP (SP), também aponta a dificuldade de medir as ações concretas do sistema financeiro. Ela lembra que no final da década de 90 a sociedade civil aumentou a pressão sobre os bancos na Europa e nos Estados Unidos, com campanhas que chamavam os depositantes a questionar seus bancos sobre a forma de aplicação dos recursos e a fechar a conta bancária ou cortar o cartão de crédito em repúdio à forma de gestão dos bancos.

Como resultado dessa pressão, nasceu em 2003 o tratado "Princípios do Equador", que preconiza uma minuciosa análise socioambiental, seguindo parâmetros do IFC (International Finance Corporation membro do Banco Mundial), para operações de Project Finance. Quatro bancos brasileiros já aderiram ao acordo, que é um código de conduta de adesão voluntária.

"O que terá mudado desde a adoção dos Princípios do Equador, quantos financiamentos foram negados são as perguntas ainda sem resposta para a maior parte dos bancos", observa a pesquisadora. "Mas, independente da falta de provas, é cada vez mais recorrente o discurso entre os bancos atuantes no Brasil, em peças de publicidade e comunicação", conclui.

O estudo do pesquisador Daniel Wajnberg, da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, do Rio de Janeiro, foi baseado em 67 entrevistas com altos executivos dos 10 maiores bancos brasileiros, juntamente com a aplicação de 126 questionários direcionados aos entrevistados e ao nível gerencial médio. Wajnberg conclui que "os responsáveis pelo pensamento estratégico já reconhecem a importância da questão e já estão promovendo mudanças em suas estratégias, modificando suas visões de longo prazo, estruturas organizacionais e práticas de negócios, com o objetivo de melhor incorporar o tema da sustentabilidade corporativa".

No entanto, afirma, "para que o setor possa efetivamente exercer seu papel de catalisador de mudanças, ainda deverá superar alguns desafios", entre os quais destaca a maior conscientização dos colaboradores quanto ao tema da sustentabilidade e o aprimoramento do ferramental utilizado pelas instituições, incorporando mais efetivamente critérios socioambientais em avaliações de desempenho, avaliações de crédito ou decisões de investimento. Nesses processos, defende o pesquisador, os bancos devem considerar não apenas aspectos qualitativos, mas também quantitativos, reconhecendo ações sustentáveis e punindo comportamentos que não agregam valor no longo prazo.




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