Global Forum América Latina reúne empresários, executivos, academia e representantes
do poder público e sociedade para discutir o papel da educação para os negócios, com foco na sustentabilidade
A sustentabilidade e a responsabilidade social estão cada vez mais presentes nas empresas. Pesquisa
realizada pelo Observatório de Indicadores de Sustentabilidade (Orbis) revela que mais de 60% das indústrias
paranaenses realizaram ações sociais em 2006. Para atender à demanda das empresas por profissionais com
visão mais sistêmica, não apenas tecnicista, instituições de ensino superior devem inserir
discussões acerca da sustentabilidade em seus currículos.
É dentro desta temática que empresários, executivos, academia, representantes do poder público
e sociedade civil reúnem-se em Curitiba, de 18 a 20 de junho, para fortalecer a articulação entre as
instâncias e discutir o papel da educação para os negócios, com foco na sustentabilidade. Eles
participam do Global Forum América Latina, uma promoção da Unindus – universidade corporativa do
Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), com patrocínio do o Serviço
Social da Indústria (Sesi), em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio
Vargas (FGV-EAESP) e Case Western Reserve University (EUA).
Na avaliação de Ricardo Dellaméa, assessor da diretoria do Sebrae Paraná, a sustentabilidade e
a responsabilidade social serão permanentes numa empresa. “É um espaço que está sendo criando,
mas cada vez mais crescente, principalmente por exigência de mercado. As organizações terão áreas
e gerências de sustentabilidade e responsabilidade social, que serão tão importantes quanto as áreas
financeira e de marketing”, diz.
Na Spaipa, fabricante dos produtos Coca Cola no Paraná, existem setores específicos para tratar dos assuntos.
“Quando se fala em responsabilidade social e sustentabilidade deve haver o envolvimento de todas as áreas, principalmente
os gestores, que colocam os conceitos dentro da cultura da empresa”, afirma a coordenadora de responsabilidade social
e benefícios da Spaipa, Ana Lucia Gomes.
Para Ana Lucia, deve haver uma integração entre as instituições que trabalham com sustentabilidade.
“Não adianta só a empresa trabalhar de forma sustentável e repassar os conceitos para o colaborador,
se o filho do colaborador vai para a escola que não trabalha com os conceitos”, diz, ressaltando que a empresa
pode até conscientizar, mas o resultado será bem mais satisfatório se existir um alinhamento. “Quando
o colaborador leva os ensinamentos para a família e o filho já ouviu esse conhecimento na escola, o resultado
multiplicador é muito maior.”
Sustentabilidade nas empresas - Na opinião do consultor em Terceiro Setor, responsabilidade social
empresarial e sustentabilidade, Ricardo Voltolini, muitas empresas se dizem sustentáveis, mas poucas realmente aplicam
o conceito. “Tornar-se sustentável requer mudanças em princípios e práticas.” Ele
define quatro estágios de empresas na busca pela incorporação da responsabilidade social. “Existem
as organizações que não exercem responsabilidade social; aquelas que praticam cidadania corporativa,
ou seja, apóiam projetos sociais; as com práticas socioambientais e, em nível mais elevado, as empresas
sustentáveis”, explica.
Voltolini classifica o momento atual como de transição. “Não é da noite para o dia que uma
empresa se torna sustentável, e isso requer coragem e coerência nas atitudes dos líderes. É difícil
para um empresário mais antigo entender que o mote agora não é produzir visando o lucro, mas sim fabricar
produtos socialmente sustentáveis. É o desafio da transição”, diz, ressaltando que “quando
houver um ponto de intersecção entre os negócios e os interesses da sociedade e do planeta, teremos um
mundo melhor”.
“As empresas estão preocupadas com a questão da sustentabilidade e já procuram especialização
nesta área. Os cursos e projetos do Sebrae já trabalham com a sustentabilidade em seus três pilares: econômico,
social e ambiental”, afirma Ricardo Dellaméa. A coordenadora de responsabilidade social e benefícios
da Spaipa acredita que a tendência é a contratação de profissionais com formação
mais ampla, que não dominem apenas a técnica, mas que conheçam e saibam aplicar conceitos de responsabilidade
social e sustentabilidade. “Esse tipo de conhecimento faz um grande diferencial para qualquer profissional. As grandes
empresas que trabalham com esse foco, darão prioridade a profissionais que tenham essa formação”,
diz.
Segundo o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, o grande desafio é alcançar uma relação
de interatividade entre as esferas empresarial e acadêmica, e destas com o contexto global. “A sustentabilidade
deve ser o referencial central e permanente a balizar atitudes, métodos, sistemas e processos educacionais que impactam
a produção e transmissão de conhecimento em gestão”, diz.