Especialista mostra experiência japonesa em agregar e
disseminar conhecimento através de comunidades estratégicas
Em tempos de globalização e da rápida disseminação
de informações, as respostas aos maiores desafios enfrentados pelos países podem estar no domínio
do conhecimento. Os japoneses encontraram através do ideograma ba do alfabeto kanji, uma forma de criar conhecimento.
Este foi o tema da palestra “O Caminho japonês da gestão do conhecimento”, ministrada na noite de
terça-feira (24), no Cietep, pelo especialista Pierre Fayard, da Universidade de Poitiers, da França. Ele esteve
em Curitiba a convite da Universidade da Indústria (Unindus), e dos Observatórios do Sesi e Senai.
De acordo com Henrique Santos, diretor da Unindus, o tema é de grande valor para as indústrias. “Na era
do conhecimento, precisamos de exemplos de como processar corretamente as informações e transformá-las
em conhecimento o que é imprescindível para a geração de riqueza”, disse.
O especialista francês apresentou sua experiência adquirida
durante pesquisa realizada de 2001 a 2005 no Japão. Segundo ele, seu trabalho se propôs a analisar, através
da cultura japonesa, o caminho para o conhecimento. “Primeiramente especifiquei a cultura estratégica japonesa.
Em seguida observei como os orientais faziam a cultura do conhecimento”, disse ele.
Segundo Fayard, é primordial entender a cultura de cada país,
pois é a partir daí que cada um cria seu próprio conhecimento. Ele contou que os japoneses estudaram
a abordagem norte-americana da gestão do conhecimento para depois elaborar e conceber o seu próprio caminho.
Nos Estados Unidos a tecnologia tem papel central na gestão do conhecimento. “Eles organizam os espaços
através de redes, possuem uma cultura individualista e para eles o futuro tem grande importância”, contou
Fayard.
Já no Japão, disse Fayard, onde há escassez de espaço
e de recursos naturais, a riqueza predominante está nos recursos humanos. “Por isso, o primeiro passo para se
chegar à criação do conhecimento é formar um grupo e estabelecer boas relações com
a comunidade”, afirmou o especialista. A partir daí, disse ele, criam-se as comunidades estratégicas de
conhecimento onde o conhecimento tácito se torna mútuo. “No Japão tudo têm um conhecimento
tácito muito grande. Eles valorizam a comunidade, o presente e, depois, as tecnologias”, disse.
A estratégia japonesa é criar condições
para que este conhecimento seja expressado, formulado em combinação com outras fontes. Aí entra o ba
– combinação de um potencial de algo que transforma espaço compartilhado em movimento e se torna
um espaço central para entender as comunidades de conhecimento.
Na cultura japonesa, sujeito e empresa, produto e cliente, não
podem ser separados. Para eles, a interação das duas frentes é mais importante que ter um plano concreto
para o mercado. “O primeiro passo é a socialização do conhecimento tácito, para isso é
preciso criar empatia, respeitar o ser humano”, defende Fayard. Ele acrescenta que esta socialização deve
ser de tácito para tácito gerando uma relação de confiança.
Em seguida, é preciso externar o conhecimento implícito,
torná-lo coletivo. Isso enriquecerá ainda mais o conhecimento que deve ser novamente interiorizado, e transformado
em tácito, individual. “Quando se doa conhecimento, informação, não se perde nada, ao contrário,
se compartilha e fortalece conhecimento”, concluiu.