Diretor da Escola de Planejamento Homo Sapiens, de Minas Gerais, Eduardo Shana, afirma
que o principal custo de uma empresa é a falta de planejamento.
Com que critério um gerente responde que vai gastar 50 pacotes de papel por ano,
ou que seu departamento vai precisar de oito viagens de avião para São Paulo? Não há critério
e quando são necessários cortes para reduzir despesas, demitem-se pessoas. Essa é a realidade de diversas
empresas brasileiras, de acordo com o especialista em gestão organizacional e diretor da Escola de Planejamento Homo
Sapiens, Eduardo Shana, que ministrou a palestra “O custo de não planejar”, durante o XV Congresso Brasileiro
de Custos. O evento foi realizado pelas universidades federais de Santa Catarina e do Paraná, PUC-PR e o apoio do Sistema
Fiep, por meio da Unindus.
“O principal custo de uma empresa é o de não saber planejar”, destacou o especialista. Segundo
ele, a maioria das organizações não tem critérios para determinar o orçamento de seus gastos,
e a maneira que encontram para reduzir custos é utilizando o sistema de comando-controle. “No entorno do sistema
produtivo há muito desperdício, e quem está controlando e apurando esse desperdício é alguém
com chicote”, afirmou Shana.
Isso, segundo ele, cria um ciclo perverso, em que um determinado departamento começa a gastar sem necessidade os recursos
que sobraram, somente para não ter sua verba diminuída para o próximo ano. “Cria-se um ciclo perverso,
pois em janeiro tenho que falar quanto vou gastar e em dezembro se ainda houver cinco passagens para São Paulo eu mando
minha equipe ir e voltar?”, indagou Shana. “Enquanto os colaboradores viverem com medo, comprimidos pela pressão,
tudo que forem gastar vão superestimar. E é por isso que as organizações estão extremamente
inflacionadas”.
O especialista sugere, como ferramenta, uma mudança de cultura nas organizações. “O que deve acontecer
é uma mudança de processo para evento. É preciso fazer com que as pessoas pensem no código genético
de cada evento antes de agir”. A proposta, segundo ele, é a capacitação das pessoas para compreenderem
todas as suas ações com foco no evento corporativo. “Planejar o evento antes de agir. Temos que planejar,
pois quando se planeja, encontra-se um ponto de custo que é o ideal, equilibrado. Isso muda completamente todo o paradigma
da contabilidade”, disse.
Homo Sapiens
Localizada em Minas Gerais, a Homo Sapiens, de acordo com seu diretor,
é um novo conceito de escola, criada para buscar e pesquisar novos pontos de vista, para entender e superar paradigmas
e desenvolver melhorias permanentes. Segundo Shana, a escola trabalha com a metodologia TEvEP, que estimula a compactação
de quatro princípios essenciais para o planejamento. “Trabalhamos a síntese do tempo, evento, espaço
e pessoa, pois aí é possível determinar o código genético de cada evento”, explica.
Ele conta que mais de 12 mil pessoas já tiveram contato com a metodologia. “Já aplicamos o Tevep em pequenas,
médias e grandes empresas, no terceiro setor, em multinacionais. Os resultados são concretos”, afirma
o diretor. A Unindus é a primeira universidade brasileira licenciada para aplicar a metodologia.